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Paulo de Souza Lima

Nasceu em 30 de junho de 1901, na cidade de Carinhanha- Bahia, sudoeste, sertão baiano, a 800 e poucos km de Salvador. Era de família humilde; seu pai era lavrador, Teotônio Osorio de Souza, e sua mãe, Patrocinia Pacheco Lima. Negro, com 1,70 cm, era forte física e moralmente, prevalecendo um caráter de honestidade, bondade e cumprimento dos deveres familiar e social.

Tinha pouco conhecimento cultural, mas de educação nata, destacou-se com muita inteligência e sabedoria. Cursou apenas até o 3º ano primário, aprendendo a ler e escrever. Escrevia muito bem, possuindo desenvoltura para redigir, fato que o ajudou muito no seu trabalho como coordenador (chefe de seção) de guarda fios dos Correios.

Seguiu o exemplo de sua mãe, sendo católico. Logo cedo, aos 18 anos, ficou órfão, assumindo a responsabilidade de cuidar dos cinco irmãos menores. Para isso, trabalhou como lavrador, até que um amigo, Sr. João Batista Farias, lhe ofereceu uma oportunidade para trabalhar nos Correios e Telégrafos, como guarda fios. Aceitou a oferta e foi trabalhar em Barra-Bahia, cidade que fica às margens do Rio São Francisco.

No seu novo estágio de vida, como funcionário dos Correios, com uma conduta irrepreensível, responsável, foi designado para coordenar um grupo de guarda fios em Bom Jesus da Lapa. O seu amigo, que lhe arrumou o emprego, foi transferido para Palmas de Monte Alto e depois para Caetité; levou com ele a esposa e uma sobrinha, órfã, com 10 anos, prometida a Paulo para casamento.

Passados alguns anos, essa sobrinha, chamada Emiliana, atingiu a maioridade; deixou os estudos, fazendo apenas o primeiro fundamental da época. O Sr. João comunicou a Paulo que o acordo do casamento estava firme. E, assim, o casamento foi realizado em 17 de maio de 1938, em Caetité. O casal fixou residência em Bom Jesus da Lapa, permanecendo lá até 1952, com uma família de sete filhos: Patrocinia, Maria do Amparo, Paulino, Emiliana Filha, Vera Lucia, Norma Lucia e Raimundo.

Solicitou sua transferência para Guanambi e, aqui chegando, alugou uma casa à Rua 15 de Novembro; depois mudou-se para a rua Manoel Vitorino, até que conseguiu comprar uma casa, à rua Sete de Setembro. Aí, nasceram mais três filhas: Nágila Maria, Cássia de Fátima e Sílvia Regina. Era um cidadão generoso, nunca lamentava as dificuldades.

No trabalho, marcava presença assiduamente ou fazia a ¨percorridas¨, como eram chamadas as viagens, para fiscalizar o trabalho dos guarda fios dos Correios. Eles eram encarregados de manter os fios e postes dos Correios que interligavam as cidades, em ordem. Viagens difíceis, cruéis, cansativas, montado em uma mula chamada Campolina, muito bonita, alta, forte.

Fazia escalas de Guanambi, Monte Alto, Carinhanha, Cocos, Caetité e Brejinhos das Ametistas. Levava consigo alfógeres com alimentos não perecíveis, para 20 dias ou mais, uma mala com roupa, uma capa grande de tecido grosso para proteção contra o frio e chuva e uma rede para dormir, muitas vezes, na mata.

As viagens eram verdadeiras aventuras; estradas de terra, acidentadas, mata densa, sol escaldante, tempestades, animais ferozes. E ele chegava contando histórias e sorrindo. Por ser de cor negra, era alheio a qualquer tipo de discriminação racial ou qualquer outra; seguia sua vida procurando desfrutar de tudo que era direito a qualquer cidadão brasileiro. Colocava a família acima de todas as coisas.

A esposa, Emiliana, era uma grande parceira: costurava para a família e, às vezes, para outras pessoas, a fim de ajudar nas economias. Conseguiram que os filhos cursassem o segundo grau, à exceção de duas, por problemas de saúde.

Faleceu em 18 de maio de 1970, vítima de insuficiência cardíaca.

Fonte: Dados fornecidos por sua filha Patrocinia.