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GASPARINO DONATO NETO

Gasparino Donato Neto nasceu em 1913. F ilho de Henrique Pereira Donato e Emília Mila Rodrigues Donato. Seu pai era um médio fazendeiro e um dos primeiros plantadores de algodão a instalar uma máquina beneficiadora na cidade; foi também vereador do município de Guanambi.

Sr. Gasparino sempre foi uma pessoa correta, herdando do seu pai a dignidade, a sapiência e a incansável sede de trabalhar. Da sua mãe, herdou a severidade e a educação nata. Teve sete irmãos, aos quais remetia grande afeto e respeito: Messias, Maria Rita, Eunice, Euflávio, Eudite, Gildasio e Gileno.

Um certo dia, recebeu uma trágica notícia – seu pai havia sido encontrado afogado em um rio próximo à fazenda que pertencia à família. Com o falecimento do pai, Gasparino ficou responsável pela administração da algodoeira da família e seu irmão, Messias, da orientação e do acompanhamento da educação dos irmãos, que já se encontravam na capital mineira em busca de novos saberes. Para “Sinha Dona” (como sua mãe era chamada) e “Sr. Henrique” os estudos e uma boa carreira sempre foram prioridade.

Mesmo não tendo estudado na capital, assim como os demais irmãos, Sr. Gasparino cursou as séries iniciais em Guanambi, com um professor particular contratado pelos pais. Apaixonou-se pela leitura e, nos momentos de folga, “viajava” na companhia das obras de Machado de Assis, Eça de Queiroz, Jorge Amado, dentre outros.

Periodicamente, ia à capital mineira levar a ajuda financeira de sua mãe para os estudos dos filhos que estavam em Belo Horizonte. Nessas viagens, comprava livros de contabilidade para estudar e acabou tornando-se um autodidata; precisava estar atualizado para contabilizar o trabalho do qual era responsável. A cada final de mês, prestava conta a sua mãe de tudo que desenvolvia. “Tão correto e sistemático”, era assim que alguns amigos o caracterizavam. Foi um grande homem!

Sr, Gasparino permaneceu na administração da família até formar o seu último irmão, Gileno. Com os irmãos já formados, a sua missão estava cumprida. Devolveu a algodoeira, já organizada, para sua mãe. Necessitava, agora, construir o seu próprio caminho e com a sua própria família.

Conheceu Alzira Freire, filha única de ”Major Raimundo”, um senhor de respeito que tinha uma grande tropa na época. Apaixonaram-se e logo se casaram. Viveram juntos até a morte. Desta união, tiveram nove filhos, Mary, Sônia, Alnône, Onesvone, Henrique, Raimundo, Rita de Cássia e Mara de Cássia. Uma família como muitas; porém, cheia de afeto, já que Sr. Gasparino não admitia desunião ou desrespeito um pelo outro.

A família começou a crescer e nasceram os netos:  Jussara, Adriana e Marcela. Filhas de Mary e Juvêncio Teixeira; Alessander e Ana Paula, filhos de Alnône e Maria Donato; Anabella, única filha de Lêda e Gilson Lessa. Por fim, os netos “das suas temporonas”, pois era assim que as chamavam. Eujácio Netto, Bruno e Bárbara, filhos de Mara de Cássia e Evilásio Vieira; Thyago, Fabíola e Amanda, filhos da caçula, Rita de Cássia e Rodolfo Lucas. Sr. Gasparino, infelizmente, não chegou a conhecer os bisnetos. Mas, com certeza, se aqui estivesse, estaria repetindo a eles todos os mimos que fazia com os netos, pois amava a sua família!

Era um homem sábio e atualizado. O rádio, era o seu eterno companheiro, seja em casa ou no carro, a caminho do trabalho. Era também assinante assíduo do Jornal da Bahia, Jornal A Tarde e algumas revistas informativas. Com o passar dos anos, Guanambi veio a ter televisão com um só canal, a Globo, mais um artefato para enriquecer seus conhecimentos. Quando assistia ao Jornal Nacional, não permitia nenhum barulho em casa. E dizia sempre: “- Vocês só vão saber discutir sobre o que se passa a sua volta se estiver atualizados! ”. Quanta sabedoria possuía aquele homem, que nem graduação possuía… (ressalta uma de suas filhas).

Na sua trajetória de trabalho, fundou, com um amigo de sua confiança, a primeira Cooperativa Agropecuária de Guanambi. Posteriormente, trouxe para Guanambi o 1º Cinema mudo da cidade. Finalmente, torna-se funcionário público do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em Guanambi-BA.

Devido à responsabilidade e honestidade com o trabalho, logo, Sr. Gasparino passou a ocupar a função de Diretor Geral do IBGE, cargo em que se manteve até a sua aposentadoria. Mesmo com idade e tempo para se afastar, permaneceu trabalhando no Órgão até os 78 anos. Como a lei não mais o permitia continuar em exercício, foi obrigado a se afastar do IBGE. Passou a dedicar o seu tempo à família e à leitura, sua paixão, seu maior lazer.

Apesar da idade avançada, tinha sede de viver, procurava se cuidar, fazendo suas caminhadas matinais e sentindo-se renovado. Porém, comungava exatamente com o que seu irmão Messias Donato costumava dizia: “um martírio aguentar no corpo velho uma alma sempre nova” e, completava, “tudo passa muito rápido, mas faz parte da vida terrena”.

Aproximadamente duas semanas antes de falecer, Sr. Gasparino começou a sentir cansaço e falta de ar, sendo diagnosticado um CA no pulmão. Pressentindo que seu quadro era irreversível, passou a dormir no quarto ao lado do que dormia com a companheira de décadas. Não achava justo vê-la sofrer e não era o seu desejo que Alzira o visse partir.

Despediu-se de alguns filhos, preparando-os para que não sofressem. E, na madrugada do dia 27 de julho de 1995, ao lado do seu filho Alnône, faleceu silenciosamente, exatamente como desejava, não dando trabalho a ninguém.

Contribuiu com o crescimento e desenvolvimento de Guanambi, inclusive doando alguns terremos para a Prefeitura Municipal da época, os quais, posteriormente, foram transformados em ruas.  Em reconhecimento pelo que fez em sua terra, após o seu falecimento, uma das ruas da cidade passou a se chamar Rua Gasparino Donato Neto, no Bairro São Sebastião. Homenagem justa, pois além de contribuir para crescimento de sua terra natal, ele amava Guanambi!

 

Fontes: Dados informados por familiares de Gasparino Donato Neto e Faiscando 2 – Messias Pereira Donato – Belo Horizonte MG 2018.