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Celina Gumes Fernandes

O lar do casal Sr. João Antônio dos Santos Gumes e Sra. Antônia Dulcina Pinto Gumes experimentou grande surpresa e alegria com o nascimento das gêmeas Célia e Celina no dia 03 de junho de 1913, em Caetité – Bahia. Foi o décimo quinto e último parto de D. Antônia Dulcina. Quando as gêmeas estavam com nove anos de idade perderam a mãe, vítima de pneumonia. Comentário dos familiares: “- Infelizmente, na época, não havia penicilina”. Desde então, Célia e Celina foram devida e eficientemente orientadas pelas irmãs mais velhas, principalmente Ana Rufa, Cândida Stela e Dulce Áurea.

João Antônio dos Santos Gumes dispunha de poucos recursos financeiros, mas, dotado de inteligência invulgar e incansável na batalha pela subsistência, conseguiu contornar a situação, promovendo a educação dos filhos e o sustento de todos. Era dono de um casarão (herdado dos pais), onde nasceu e que ainda resiste ao tempo na Rua Dois de Julho, nº 154, em Caetité. Do casarão, afastou-se apenas quando, por oito anos, lecionou, ainda muito jovem, em fazendas do baixio de Palmas de Monte Alto, e quando deixou a vida terrena, aos setenta e dois anos de idade.

Era um autodidata. Sabia francês e chegou até a traduzir um livro escrito nesse idioma.  Na sua residência, o casarão, João Gumes instalou uma tipografia. Aí, sob a sua responsabilidade e assessoria dos filhos Sadi Rútilo, Huol e Luiz Antônio, foi criado e editado o jornal A PENNA, de grande aceitação do público e de imensa circulação. Hoje, esse jornal tem servido de fonte para muitas pesquisas acadêmicas.

Celina Gumes estudou na referida e renomada Escola Americana, que frequentou desde as primeiras letras. Lá terminou o Ensino Fundamental (nomenclatura daquela época e hoje resgatada). Depois, ingressou na Escola Normal de Caetité, onde concluiu o Curso de Magistério no ano de 1931, aos dezoito anos de idade. No ano seguinte, antes de assumir a regência de classe, viajou com destino a Salvador para a obrigatória inspeção de saúde. Uma viagem desgastante, altamente cansativa: a cavalo, de Caetité a Machado Portela; de trem de ferro até São Félix (à margem do rio Paraguaçu); de navio a partir de São Félix até a capital, Salvador. De volta a Caetité, os mesmos meios de transporte e a mesma canseira.

Ainda muito jovem, começou a lecionar em locais de difícil acesso, tendo sido o primeiro deles a hoje cidade do Rio do Antônio, onde morava sua irmã Cármen Dolores. Depois, foi para Brejinho das Ametistas; em seguida, para Bonito (atual Igaporã), dessa feita junto com a irmã gêmea, Célia, também regente de classe lá, ambas resguardadas pela irmã mais velha Dulce Áurea.

Em 1937, já casada e com o acréscimo de Fernandes ao seu nome, foi designada como professora efetiva para lecionar na Escola Estadual Rural Mista de Itaguaçu (na época grafava-se Itaguassu), atual distrito de Mutans. Ali, teve como alunos, dentre outros, Eurita Vieira (mais tarde casada com o Sr. Jackson Pereira Baleeiro), Gláucia Barros Prates (filha do Sr. Joaquim Prates), os irmãos Augusto Fernandes e Laura Fernandes (cunhados da professora), Geraldo Rodrigues da Silva, filho de D. Arlinda, madrinha de apresentação ou “madrinha de carrego” das filhas do casal Joaquim e Celina.

Um episódio digno de nota na sua estada em Brejinho das Ametistas: certa feita, como era permitido na época, a professora Celina castigou um aluno; o pai deste, bêbado, saiu pelas ruas, criticando e insultando a professora. Celina era hóspede do Sr. Dedeco, apelido do Sr. Manuel Soriano, tio do mais tarde famoso Waldik Soriano. Ao tomar conhecimento da atitude do bêbado, o Sr. Dedeco aconselhou: “Professora, bravos achou, bravos deixe”.

Nas suas andanças para cumprir sua missão de mestra, enfrentou muitas dificuldades, pois naquela época os meios de transporte na região, salvo os cavalos e burros, eram muito escassos, até mesmo inexistentes. Basta dizer que um único automóvel, pertencente ao Sr. Clóvis Bastos, morador de Caetité, surgia mensalmente no Bonito (hoje Igaporã); era quando o pessoal do lugar aproveitava para acertar seus relógios. Não havia outro jeito senão enfrentar o lombo de alimárias, em viagens muito penosas, demoradas e cheias de perigos. Celina contava, por exemplo, que, em certo ponto do caminho para Bonito, em plena serra, o cavalo e o cavaleiro tinham que passar com muito cuidado, para evitar uma escorregada até o precipício.

Em 1937, Celina contraiu núpcias com o Sr. Joaquim Fernandes, negociante em Guanambi. Dessa união nasceram três filhas: Dilma, Iara e Maria Belma. São seus netos Sandra Cristina Fernandes (in memoriam), Carmen Conceição, Celina de Cássia, Joaquim Neto, Pedro Leonardo, Carolina Neta; e bisnetos Amanda, Douglas Wiliam, Ana Beatriz, Guilherme, Thiago Henrique e Marilia.

Logo após o casamento, passou a residir e a lecionar em Itaguaçu (atual Mutans), onde permaneceu por poucos anos, sendo transferida para o grupo Escolar Getúlio Vargas, na cidade de Guanambi. Era uma professora muito dedicada, não somente quanto aos métodos de que se utilizava para ensinar, como também no relacionamento com os alunos, a quem tratava com muito respeito e atenção. Revelou-se ótima alfabetizadora. Quando alguns alunos demonstravam certa dificuldade no aprendizado, ela os levava para a sua casa para dar-lhes reforço escolar.

Trabalhou muitos anos como regente de classe. Exerceu, por algum tempo, o cargo de Diretora do Grupo Escolar Getúlio Vargas (hoje Escola Municipal Getúlio Vargas). Foi Delegada Escolar e também responsável pelo Ensino Supletivo (àquela época, alfabetização de adultos). Também participou de seções eleitorais, como presidente de mesa.

Nos quadriênios 1951 a 1954 e 1959 a 1963, esteve como primeira dama do município de Guanambi. Depois de grande abnegação ao magistério, aposentou-se com 31 anos de serviço, no ano de 1962.

Estava sempre bem-humorada. Muito lúcida ainda, faleceu, aos oitenta e três anos de idade, no dia 07 de fevereiro de 1997.

Dados biográficos organizados por suas filhas: Dilma Gumes Fernandes Santos, Iara Gumes Fernandes dos Santos e Maria Belma Gumes Fernandes.

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