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Antônio Cardoso Vieira

Filho de Alexandre Vieira Costa e Maria Amélia Cardoso, nasceu na Fazenda Tabuinha, Município de Guanambi/Ba, em 20 de setembro de 1904. Foi o primogênito entre os nove filhos do casal, dentre os quais seis homens e três mulheres.

Sr. Antônio foi alfabetizado na Fazenda Tabuinha pelo Professor Ezequiel Botelho e continuou os estudos em Caetité/Ba, na Escola Americana da Professora Teodolina Neves Vieira, até o 2º Ano Primário.

Casou-se aos 22 anos de idade com Antotildes Ribeiro Cardoso (Dona Didi), jovem de 18 anos, de família tradicional de Palmas de Monte Alto/Ba. Dessa união nasceram cinco filhos, estando vivas três filhas: Delza, Elza e Delnir. Mesmo com parcos recursos econômicos, Sr. Nenén (como era conhecido) possibilitou às filhas os estudos para a graduação de Professoras Primárias.

Na fazenda Tabuinha foi lavrador, com enfoque no plantio do algodão e, em 1930, mudou-se para Itaguaçu, hoje Mutans, onde foi comerciante e Juiz de Paz. Em 1945, passou a residir em Guanambi, onde foi comerciante, com enfoque na comercialização de tecidos (Casa Nini), compra e venda de algodão na fase do “Ouro Branco”.

Como cidadão desempenhou a função de Delegado Escolar e na Política foi Vereador em 02 Legislaturas, ocupando, em uma delas, a Presidência da Câmara Municipal, época em que exerceu o cargo de Prefeito Interino, em substituição ao titular, Dr. Nelson Bastos, por conta de um afastamento provisório.

Com a necessidade de acompanhar o estado da saúde de sua esposa, Didi, suas filhas foram transferidas para Salvador em 1963. Desde então, elas iniciaram um ciclo de estudos universitários que lhes condicionaram novas oportunidades em suas áreas profissionais e não mais retornaram a Guanambi.

Nenén Vieira, como era chamado carinhosamente, não acompanhou a família, ficando, assim, testada a sua afinidade com a sua Terra Natal. Não faltavam, entretanto, assistências com as vindas e idas, até que, em 1993, aos 89 anos, com a segura intervenção da família veio, definitivamente, residir em Salvador. Em 1996, ficou viúvo e permaneceu morando com suas duas filhas Delza e Elza. A partir de 2004, embora com boa saúde, mas com pouca mobilidade física, passou a morar com a filha Delnir, seu genro José Batista da Silva e os netos Alexandre e Antônio Vieira Batista da Silva. Em 08 de maio de 2008 faleceu com, aproximadamente, 104 anos de idade, sendo sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.  Orgulhava-se de toda a sua família e esteva sempre nas suas lembranças os familiares e amigos deixados em Guanambi.

Sr. Nenén cultivava a leitura de romances, notícias de jornais da época, tinha boa redação e bonita caligrafia. De quando em vez, aparecia com uns poemas que os desfazia sem anunciá-los. Ao completar 90 anos, deixou a sua veia poética quando declamou:

 

Aos 90 anos

Passam dias e semanas

Passam meses e passam anos

Assim a idade aumenta

Quando menos esperava

Cheguei a casa dos 90.

 

Com coragem e fé em Deus

Para 91 vou partir

Não sei se chegarei a fim

Sim. Se Deus permitir.

 

Tudo acontece na vida

Mas o futuro é incerto

Não sei se terei o prazer

De alcançar algum bisneto.

 

Antônio Vieira, em 18.09.1994

 

Fonte: Texto, foto e informações fornecidas pela filha, professora Delnir Vieira.

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