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Joaquim Domingues de Souza

No bravio sertão baiano, mais precisamente na zona rural do Município de Guanambi, em uma fazenda vizinha ao município de Caetité- BA, no seio de uma família simples, batalhadora e honesta, nasceu Joaquim Domingues de Souza.

Dentre os quinze irmãos, ele era o quinto filho do casal Felipe Fogaça de Souza, lavrador e pecuarista, e de Dona Josefina Maria de Souza, do lar. Mais tarde, devido à seca e às dificuldades que vinham atravessando, seus pais se mudaram para a fazenda denominada Gameleira, onde Joaquim passou a sua infância e adolescência.

Desde cedo, Joaquinzinho, como era chamado, demonstrava o seu pendor para os negócios. Esperto e trabalhador, ajudava o seu pai na lavoura e na labuta com os animais. Entretanto, não era essa a profissão que ele queria.

Autodidata, assim podemos chamar, pois, apesar de não ter frequentado a escola, aprendeu as primeiras letras, num curto período de 30 dias, com um senhor que se intitulava professor.  Joaquinzinho era uma pessoa inteligente, dotada de uma memória privilegiada, amante da leitura, bem informado sobre as questões políticas e sociais do Brasil e do mundo.

Apolítico por convicção. Tinha vasto conhecimento das Leis. Era também estudioso da Bíblia Sagrada, livro de sua preferência. Dominava a Aritmética com maestria.  Gostava de ler e pesquisar temas relacionados à saúde. Muitas vezes, sua Mãe o surpreendia folheando os livros que pertenceram ao seu bisavô; esse era boticário e de quem herdou os dons.

Em busca de melhores condições de vida, muito jovem, como inúmeros outros rapazes faziam, dirigiu-se para São Paulo. Nos primeiros meses, trabalhou na lavoura de café.  Não satisfeito, muito embora ganhando bem, deixou a lavoura e foi à procura de um novo trabalho. Conseguiu empregar-se em um empório e ali permaneceu até fazer uma boa economia.

Voltou a sua terra natal. Ainda, naquele ano de 1929, apaixonou-se e casou-se com a jovem Josefina da Silva Teixeira, que passou a se chamar Josefina Domingues de Souza. Dessa união nasceram 12 filhos: Abigail, Luyd, Maria de Lourdes, Valdote, Lucília, Washington, Águeda, Ruth, Carmen, Floripes, Hamilton e Isac.

No ano seguinte, 1930, mudou-se com a família para a cidade de Guanambi, onde se estabeleceu como comerciante. Para fazer companhia a sua esposa, convidou a sua sogra, que era viúva e sozinha, a vir morar com eles.

Na Praça Coronel Cajayba, abriu um grande armarinho, onde se vendiam as mais variadas peças, como louças finas importadas da China, utensílios para cozinha, linhas, sapatos, rendas, fitas, brinquedos: bolas, petecas, bonecas, etc. No mesmo local, numa sala contígua ao armarinho, dedicou-se também à profissão de barbeiro. Foi fabricante de vários tipos de vinhos como: moscatel, jurubeba, vinho branco, vinho tinto, vinho de uva e outros os quais eram vendidos na região.

Era um homem temente a Deus, mas não aceitava os dogmas da Igreja Católica, até quando conheceu a doutrina da Igreja Adventista e se converteu, motivo que o levou a deixar o pequeno fabrico de vinho e, dessa vez, enveredou na profissão de dentista prático, ofício que abraçou com amor e ao qual se dedicou por toda a sua existência. Vale ressaltar que, na época, só havia um dentista na cidade: Dr. Benjamim Vieira, por quem nutria forte amizade.

Sr. Joaquim era um homem comprometido com a ética e o bom viver. Sábio, de caráter nobre, honesto e humilde, bom filho, bom irmão e extremoso pai de família. Mas, sem dúvida, não deixava de ser severo nos momentos necessários. Benevolente e de coração bondoso, preocupava-se com as pessoas mais necessitadas, idosos e doentes. Cuidou também de seus pais na velhice e antes dela. Sempre tomava a defesa daqueles que eram injustiçados.

Guanambi, para ele, era a melhor cidade do mundo, terra que amava com ardor e onde queria ser sepultado. Vítima de um infarto, faleceu no dia 28 dezembro de 1989, aos 84 anos de idade. Foi sepultado no Cemitério Municipal Santo Antônio de Guanambi, cumprindo, desse modo, o seu desejo. “Dorme na esperança da primeira ressurreição.”

Reconhecido pela sua integridade moral, como homem de bem e honrado, um dos pioneiros e desbravadores de Guanambi, a Câmara Municipal de Vereadores prestou-lhe homenagem, dando o seu nome a uma praça desta cidade.

Fonte: Texto escrito por sua filha, Prof.ª Lucília Domingues Donato, em 25 de setembro de 2018.

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